Sabia que os processos de regeneração urbana assentam cada vez mais em soluções baseadas em inovação, criatividade e governança?
Sabia que os processos de regeneração urbana assentam cada vez mais em soluções baseadas em inovação, criatividade e governança?

A regeneração urbana e a revitalização dos centros históricos, conjuntamente com as questões da sustentabilidade energética e da necessidade de redução de emissões poluentes, são hoje os principais desafios que se colocam ao planeamento das cidades. Desde logo em Portugal, dadas as condições de crescente abandono e degradação em que se encontram muitos dos edifícios dos centros históricos das cidades portuguesas, mas também na Europa, uma vez que, a maioria dos centros urbanos europeus são cidades históricas e, por isso mesmo, muito antigas.

As cidades parecem estar a redescobrir o valor económico das indústrias criativas e da cultura e, muitas delas, começam a apostar fortemente nestes sectores como forma de dinamização económica e de regeneração de zonas particularmente sensíveis em termos patrimoniais e arquitectónicos. As indústrias criativas e da cultura (isto é, as actividades económicas associadas ao design e à moda, à publicidade, às artes visuais e às antiguidades, ao artesanato e à joalharia, ao cinema, ao vídeo e ao audiovisual, ao software , à música, às artes performativas, às actividades editoriais, à televisão e à rádio) são actividades que convivem bem com edifícios e zonas particularmente nobres das cidades.

As indústrias criativas são actividades que incorporam elevados níveis de conhecimento e de inovação e que, pela sua natureza, são particularmente enquadráveis em contextos territoriais com elevada qualidade patrimonial. E tendem a contribuir para a criação de ambientes e xclusivos em contextos de cidade, garantindo-lhes uma visibilidade internacional crescente e também a re-afirmação da sua identidade  própria.

Exactamente por isso, assistimos ao surgimento, em termos de políticas urbanas, de um conjunto de apostas na rentabilização das oportunidades de regeneração urbana associadas a este tipo de indústrias. De que são exemplo, as estratégias e as políticas urbanas assentes na afirmação de unidades territoriais especializadas em actividades no âmbito das industrias criativas, nomeadamente os Design Districts  (district  entendido enquanto bairro, área, zona, quarteirão ou circuito urbano), os Fashion Districts , os Museum Districts , os Art Districts , os Antiques Districts , os Video & Cinema Districts , os Music Districts,  que começam a ser concretizados em várias cidades em Portugal e no mundo.

Cidades como Valência, Copenhaga, Barcelona, Bilbao, Belo Horizonte, Manchester, Saragoça, Lisboa, Dublin, Porto, entre outras, são exemplos concretos de cidades que estão a desenvolver iniciativas muito concretas, e bem sucedidas, neste domínio.

A concretização deste tipo de projectos assenta sempre num forte contexto territorial de governança, isto é, na criação e dinamização de importantes parcerias (públicas e privadas) de base local mas com forte relevância nacional e internacional.

Assistimos assim à criação, nesses territórios, dos chamados Innovation Hubs . Isto é, espaços criativos de excelência nas cidades, que têm como base de funcionamento sólidas parcerias entre o sector público e o sector empresarial e também o sistema científico e tecnológico, e que têm como objectivo gerar e disponibilizar conhecimento, criatividade, iniciativa, capacidade relacional e tecnologia de suporte à regeneração urbana.

As oportunidades associadas a este tipo de soluções são inquestionáveis, quase irresistíveis, e, por isso mesmo, muitas cidades estão a seguir neste caminho. Naturalmente que as cidades que primeiro começaram a concretizar estratégias desta natureza terão a oportunidade de poder liderar o processo. Enquanto outras, se contentarão provavelmente com tentar reproduzir soluções que foram bem sucedidas noutros contextos territoriais.

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Paulo Neto (neto@uevora.pt) - 04.03.2010
Professor do Departamento de Economia da Universidade de Évora