A importância das comissões no investimento das poupanças
A importância das comissões no investimento das poupanças

Vivem-se dias de crise. O desemprego em Portugal atinge já mais de 500 000 pessoas. Muitas famílias perderam a sua fonte habitual de rendimento e aquelas a quem isso não aconteceu pensam duas vezes antes de gastar. Poupar é a palavra de ordem! Por isso, é preciso saber aplicar as poupanças.Quem procura boas rentabilidades tem que se aventurar além dos simples depósitos a prazo e certificados de aforro. Com pouco dinheiro, uma boa alternativa é a compra de unidades de participação em fundos de investimento. Muitos de nós até já as tem em carteira, eventualmente sem o saber, pois os Planos de Poupança Reforma ou os vários produtos que os gestores de conta nos oferecem como hipótese de investimento, não são mais do que combinações de unidades de participação em vários fundos de investimento. Todas as aplicações em fundos têm custos – as chamadas comissões, que podem variar entre 0,5% e 2,5% do montante investido - e, para ter uma rentabilidade razoável, é necessário saber exactamente aqueles em que incorremos quando aplicamos o nosso dinheiro.

Produtos que obriguem ao pagamento de comissões muito altas não são um bom investimento. Quando as taxas de retorno andam à volta dos 2% ou 3%, pagar uma comissão de 2,5% não compensa. Se for este o caso, mais vale escolher um depósito, pois o risco é muito menor e o retorno é praticamente igual, podendo até ser superior.

A comissão de gestão  terá sempre que ser paga, pois quem gere o fundo tem que ser remunerado. Mas há fundos que cobram também, entre outras, a comissão de subscrição  e/ou de resgate  das unidades de participação.

Se há comissão de subscrição, isto significa que nos tiram logo algum dinheiro. Por exemplo, se queremos aplicar 100 euros num fundo e há uma comissão de subscrição de 2,25%, ficamos à partida com o capital reduzido a 97,75 euros, e só este montante é que vai ser aplicado. Teremos que ter ganhos relativamente elevados para poder recuperar os 2,25% perdidos inicialmente e também ter retorno real sobre o dinheiro investido.

Se a comissão for de resgate, quando vendemos as unidades de participação não vamos receber todo o dinheiro que o investimento rendeu, mas sim esse valor menos a comissão de resgate. E, a estes custos de subscrição ou de resgate, tem que ser adicionada a comissão de gestão.

Uma vez que há fundos que só cobram a comissão de gestão, e que não existe uma relação positiva entre os custos incorridos por participar num fundo e a rentabilidade obtida, pelo contrário, devemos escolher sempre os fundos com custos mais baixos. Normalmente, estes só estão à venda em bancos que fazem as transacções por via electrónica e que se dedicam principalmente à comercialização de fundos de investimento. Mas nos nossos bancos habituais, perguntar sempre quais são os custos e comissões de cada investimento é meio caminho para ter um bom retorno.

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Isabel Vieira (impvv@uevora.pt) - 11.11.2009
Professora do Departamento de Economia da Universidade de Évora