Rui Manuel Silva
Licenciatura em Economia (Ref 87) /1989-1994

Na Universidade de Évora:

Na Universidade de Évora aprendi a ser um homem. Comecei a morar sozinho (a 550 km de casa), passei a gerir um orçamento mensal (inicialmente muito mal), fiz novos amigos (os maiores e mais fiéis), conheci a minha mulher (já lá vão 10 anos de casado e 2 filhos), aprendi a gerir a minha motivação e a prioritizar as minhas vontades.

Academicamente falando não tenho termos de comparação. No entanto, posso afirmar que tive bom professores (não digo nomes pois não quero ser injusto e deixar alguém de fora), aprendi a estudar, a pesquisar e a fazer uso da minha inteligência emocional.

Para além disso fui vice-presidente da associação de estudantes (AEUE) e presidente da sua assembleia-geral.

Foram sem dúvida os melhores anos da minha vida.

Lá fora:

Em 1995 entrei na banca (Banco Nacional Ultramarino), alcancei a categoria de gestor de conta em 1996 e cheguei a gerente de balcão em 1997.

Em 1998 despedi-me do banco e entrei na Porto Editora como Assessor da Administração. Em 1999, por saída do anterior director, tornei-me no Director de Marketing Escolar até hoje.

Apesar de o percurso ser curto e aparentemente pouco interessante posso afirmar que não há dois dias iguais na minha vida, sou directamente responsável por 1/3 da facturação, tenho 150 pessoas a meu cargo e giro um orçamento anual muito elevado.

O Grupo Porto Editora é o maior Grupo Editorial Português, factura 160MEUR (adicionando a recentemente adquirida Bertrand), tem 1200 funcionários e é actualmente uma multinacional pois tem empresas em Angola e Moçambique.

Mensagem:

Confesso que pensei nisto muitas vezes. Sempre quis passar a minha experiência a gente mais nova, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Sempre me quis ver neste papel que, independentemente do meu percurso profissional, condiz com a minha forma de estar na vida e com as minhas características pessoais. Sempre me vi no papel de professor, mentor ou coach.

Curiosamente, agora que o posso fazer não sei o que de relevante posso dizer.

Começarei talvez por dizer que não há verdades absolutas nem situações permanentes.

Nunca fui um estudante brilhante, não tive pressões familiares, não tive cunhas, dinheiro ou suporte da família. Sempre gozei a vida, sem preocupações de médio e longo prazo, não planeei o meu percurso académico ou profissional e valorizo mais a minha vida pessoal que profissional. Resumindo, sou uma pessoa normal e quem me conhece dificilmente diria que me tornaria no que sou hoje: um profissional competente, ambicioso, motivado e com vontade de saber e fazer sempre mais e melhor.

O que mudou em mim? Pouco.

Há características que sempre cá estiveram: a motivação, a capacidade de trabalho e alguma capacidade de liderança.

Outras foram-se desenvolvendo à medida que as situações foram aparecendo: A perseverança, a ambição, a necessidade de saber mais para chegar mais além.

Acredito também que o percurso de vida ajudou: As dificuldades financeiras, o sofrimento causado pela distância, os problemas familiares. Se correctamente canalizados, estes problemas tornam-nos mais fortes e focalizados.

No entanto, há três coisas que acredito serem a chave do meu percurso até à data:

- O voluntarismo e a capacidade de pensar out of the box;

- A capacidade de ouvir e de aprender com os erros cometidos;

- A noção de que nada se faz sem trabalho árduo.

Também não esqueço a sorte que, felizmente, me tem acompanhado ao longo da vida.

Resumindo, tenho uma profissão desafiante e tremendamente exigente. Sofro uma pressão enorme para resultados. Por vezes sinto-me inseguro e com vontade de trocar de papel com um dos meus filhos, de forma a abandonar, mesmo que temporariamente, os problemas. Ainda assim, não há dia nenhum que não me levante da cama com as forças renovadas, a motivação restaurada e vontade de ir mais além. Uso tudo o que a vida me proporcionou (conhecimento científico, senso comum, experiência, meios de pesquisa, etc.) para vencer as dificuldades diárias.

Todos os dias penso no seguinte: Tenho de ser relevante. Tenho de acrescentar valor.

Dt. Testemunho: 05.05.2010