Luis Miguel Sobral
Licenciatura em Economia (Ref 1992) /1992-1996

Na Universidade de Évora:

A Universidade de Évora tem associada uma história que orgulha todos os que nela têm o privilégio de aprender. Comigo não é diferente. É sempre com enorme saudade que recordo as pessoas que conheci e os espaços onde (também) estudei.

São poucas as imagens que recolhi ao longo da minha vida que comparam com a que tenho dos claustros. Seja pela calma inspiradora, onde muitas vezes a brisa da noite parecia ajudar a compreender os modelos econométricos, seja pela beleza da arquitectura e paineis de azulejos vindos do tempo dos Jesuítas, seja pela história do Colégio do Espírito Santo, é impossível passar por Évora e não sentir que valeu a pena investir os anos mais importantes da nossa formação naquela magnífica Universidade.

Recordo também com saudade os professores que, com saber, inteligência e enorme disponibilidade, me serviram de exemplo. Foram eles, seguramente, que me ajudaram a compreender mais cedo que "O único lugar onde Sucesso vem antes do Trabalho é no dicionário" (Albert Einstein).

A Universidade de Évora tem uma característica que torna a experiência Académica verdadeiramente memorável, intensa e enriquecedora: o facto da grande maioria dos alunos não ser oriunda do distrito de Évora faz com que, para a maioria dos alunos, o ingresso na Universidade seja associado à expatriação do seio familiar. Este facto faz com que a cidade seja uma nova casa para muitos. A cidade sabe disso e recebe bem. Os estudantes acabam por voltar a sentir-se em casa, só que desta vez, a família passam a ser os colegas, os amigos, as donzelas e as farras! Os amores, as venturas e desventuras, as serenatas, os rallies da tascas e as amizades que levamos para o resto das nossas vidas marcam-nos muito. A mim marcaram.

E porque o "honesto estudo" de nada vale sem a "longa experiência" misturada, a Universidade de Évora cria condições para que possamos enriquecer a nossa experiência académica: verifico com orgulho que o NEEGUE - Núcleo de Economia e Gestão da Universidade de Évora, do qual fui membro fundador em 1994, continua a existir; e ainda no passado mês de Abril tive a honra de participar no 20º aniversário da Tuna Académica da Universidade de Évora, onde fui Tunante activo entre 1992 e 1997, tendo feito parte da Direcção entre 1995 e 1997.

Tive o privilégio de conhecer pessoas muito especiais e de viver momentos muito intensos em Évora. É difícil não acontecer o mesmo com todos vós que por aí estão hoje!

Lá fora:

A minha carreira profissional iniciou-se no sector industrial da pasta e do papel. Integrei a fábrica de papel da Papéis Inapa em Setúbal numa altura em que se estava a fazer a reestruturação dos processos e das equipas de compras e aprovisionamento. Este foi um marco que condicionou toda a minha vida profissional. Durante os primeiros 4 anos tive a responsabilidade de definir o que era necessário comprar, fazer agregação de compras, encontrar, testar e negociar internamente alternativas de produtos e negociar com os fornecedores com o objectivo final de reduzir custos. Não era ainda evidente nessa altura a enorme revolução que a área de compras B2B iria ter com a internet.

No final da década de 90, havia já a noção de que os mercados electrónicos iriam trazer grandes vantagens para as empresas, mas sem se saber exactamente com que sustentação uma vez que o optimismo desinformado que caracteriza qualquer nova tendência parecia prevalecer.

Foi neste cenário de aparente descalabro dos negócios na internet que, em Abril de 2001, eu resolvi trocar o conforto de um emprego numa indústria tradicional por uma aventura num sector onde a maior parte das empresas estavam a fechar pelo mundo fora.

Estava a ser criado o mercado electrónico da Construção em Portugal, o econstroi. Tive a oportunidade de integrar a equipa de Desenvolvimento e Implementação. Esta equipa era responsável pela concepção do mercado electrónico e modelo de negócio, bem como pela implementação do mesmo junto das empresas compradoras e fornecedoras.

Nessa altura acreditava profundamente que estava a integrar uma indústria emergente e de enorme potencial. Sentia que era o mesmo que entrar na indústria automóvel quando estava a ser desenhado o primeiro automóvel. Também no início da indústria automóvel apareceram dezenas de empresas que não vingaram. É natural que assim seja. Era este o meu argumento para os que me perguntavam "o que se passa na tua cabeça para trocar uma empresa estável por uma empresa da internet quando tudo está a fechar?". Eu sorria.

A experiência concreta que adquiri na área de compras foi importante para a forma como as ferramentas do mercado electrónico foram concebidas e, sobretudo, para a forma como foram implementadas junto dos compradores. Estes sentiam que estavam a falar com alguém que conhecia os processos e dificuldades dos compradores e que não era apenas mais um "tecnólogo" a vender o que não conhece.

Desde então tive oportunidade de gerir equipas em todas as áreas da Vortal, desde as equipas comerciais, consultoria, análise funcional, engenharia, marketing ou gestão de produto.

O econstroi é hoje a referência europeia em mercados electrónicos no sector da Construção.

Portugal foi o primeiro país no mundo a tornar obrigatória a utilização de plataformas electrónicas de contratação para as compras públicas.

A Vortal é uma das empresas com maior sucesso na operação de mercados electrónico G2B2B (Government-to-Business-to-Business) a nível global, tendo sido recentemente reconhecida como tal pelo maior analista de tecnologia no mundo, a Gartner.

Actualmente sou Executive Vice-President e Administrador responsável pelo Marketing, Inovação e Business Development da Vortal.

Mensagem:

A nossa carreira e a nossa concretização pessoal e profissional dependem muito do caminho e das opções que tomamos ao longo da nossa vida, principalmente nos primeiros momentos da nossa vida profissional.

Assim, partilho as 3 ideias que me parecem mais importantes para quem está a inciar a vida profissional:

  • Sejam empreendedores: o mundo está a criar oportunidades imensas, seja por via do desenvolvimento tecnológico seja por via da facilidade com que tomamos conhecimento de um novo negócio de sucesso que pode ser replicado / melhorado. Ser empreendedor não significa só "ser empresário". Podemos ser empreendedores nas empresas onde trabalhamos. Os intrapreneurs são valiosos. Arrisquem e inovem!

  • Não cedam à grande tentação de seguir uma carreira que não condiz com o vosso sonho só porque foi onde conseguiram encontrar o primeiro emprego. Aceitem esse primeiro emprego mas não se acomodem à inevitabilidade. Sejam curiosos e procurem saber tudo o que há para saber na área de negócio onde querem estar. Quando surgir a oportunidade (e as oportunidades criam-se, não se encontram!) vão conseguir impressionar pelo conhecimento que têm.

  • Sejam exigentes e selectivos com o vosso chefe. Um bom chefe vai sentir-se concretizado se fizer de vós um líder. Não vai hesitar em passar-vos conhecimento e experiência. Vai acelerar-vos a progressão, assim vocês consigam dar-lhe em troca a vossa capacidade de trabalho, enfoque na qualidade, no rigor e no detalhe e atitude empreendedora e inconformada.

Dt. Testemunho: 20.10.2010